Por Nilce Barbosa, Presidente
do Grupo Racine
 Fatores
demográficos, somados ao aumento das demandas do mercado de
trabalho e da sociedade, a evolução
técnico-científica e a busca do Brasil em ser
mais
competitivo como Nação, tornaram-se pontos
facilitadores
para que, há quase três décadas, uma
política de expansão do ensino superior fosse
iniciada.
Este marco possibilitou a criação de
inúmeras
facilidades para a construção de uma vasta rede
de
instituições de ensino superior privados
através
da concessão de subsídios diretos e indiretos.
Assim, com o histórico de um curso superior totalmente
administrado pela esfera pública até 1978, o
curso de
Farmácia adentra o ano 2.000 discutindo a
reformulação curricular gerada pela Nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e,
em
seguida, vivenciando sua implantação com a
aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) dos
Cursos de Graduação em Farmácia
(2002). Com um
contingente de quase 300 cursos, de onde ingressam anualmente ao
mercado de trabalho cerca de 14.000 profissionais
farmacêuticos,
ações e normas que assegurem a qualidade do
ensino
tornam-se imperiosas.
Por entender que um espaço permanente para
discussão
pudesse contribuir com todos os diferentes aspectos da qualidade da
Educação Farmacêutica, foi criado em
2004 o
Encontro Racine de Professores Universitários.
Realizá-lo
paralelo às Semanas Racine foi um facilitador desse processo
de
consolidação da idéia, pois o
congresso
reúne inúmeros professores provenientes
das
inscrições ofertadas a todas as
Instituições de Ensino de Farmácia do
Brasil desde
a realização de sua primeira
edição. Com um
formato ainda em construção o Encontro tem
proporcionado
interessantes debates que abordaram assuntos como: as Novas Diretrizes
Curriculares Nacionais para os cursos de
graduação da
área da saúde; o papel do educador na sociedade
contemporânea; os Quatro Pilares da
Educação
(UNESCO); mercado de trabalho e perspectivas profissionais; direito
sanitário; os desafios para profissão
farmacêutica
e Educação Farmacêutica.
Buscamos conseguir com esta iniciativa dar mais um passo na
valorização do papel do educador na qualidade da
formação acadêmica do
farmacêutico, pois
acreditamos que educar é ensinar a pensar. E desenvolver o
pensamento é muito mais do que repassar conteúdos
encontrados em livros ou outras fontes de pesquisa. No processo de
formação, seu grande papel é guiar o
educando para
o processo de “desalienação”
do mundo,
proporcionando-lhe visão ampliada de sua forma de
atuação, inspirando-o a uma atitude humanista,
critica e
reflexiva, além de dar-lhe segurança para a sua
prática profissional.
Essas profícuas discussões têm
permitido a todos os
participantes dos Encontros Racine para Professores
Universitários, refletir sobre o que a sociedade brasileira
necessita, e deveria esperar, dos profissionais
farmacêuticos. A
dimensão geográfica, os fatores
demográficos e
econômicos do Brasil conferem substância aos
cenários otimistas perenemente associados ao nome do
país. Com uma população de mais de 190
milhões de habitantes, o Brasil integra Grupo E-9, o que
significa que, juntamente com Bangladesh, China, Egito,
Índia,
Indonésia, México, Nigéria e
Paquistão,
é um dos nove países mais populosos do mundo que
se
comprometeram a encarar a educação como fator de
importância-chave para o desenvolvimento. Dotado de forte
setor
industrial, de produção agrícola vasta
e
diversificada, bem como de ricos recursos naturais, o Brasil parece
estar posicionado para competir de forma efetiva na economia
globalizada dos dias de hoje. Com uma área de 8,5
milhões
de quilômetros quadrados, é um país de
grandes
dimensões territoriais, exercendo forte influência
econômica e geográfica no subcontinente
latino-americano.
A melhoria da saúde da população
é
compreendida como condição essencial para
eliminar a
desigualdade persistente que se encontra naraiz dos assustadores
desafios que o Brasil hoje enfrenta em sua busca por desenvolvimento
humano.
Deste modo, é evidente a enorme responsabilidade dos
profissionais da saúde, não somente dos
farmacêuticos, na resolução de
questões como
a redução da vulnerabilidade ambiental, dos
conflitos
sociais e da violência, como a redução
da pobreza,
da miséria e da exclusão social, minimizando os
impactos
gerados e interferindo para modificar estilos de vida
contemporâneos e buscando instituir políticas que
privilegiem promoção da saúde e a
prevenção das enfermidades, gerando, assim, um
sistema de
atenção e cuidado à saúde
mais racional e
econômico e em consonância com o respeito e a
dignidade
humana.
Assim, esperamos neste 6º
Encontro Racine de Professores Universitários abrir
novamente o espaço para o partilhar de visões e
experiências que venham contribuir com o desenvolvimento
pessoal
e profissional de todos os participantes. |